Cap 4 Ascendentes de Domingos os Antonios Meirelles (parte 1)
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Genealogia e Historia dos Meirelles e Afins: Cap 4 Ascendentes de Domingos
Genealogia e Historia dos Meirelles e Afins: Cap 4 Ascendentes de Domingos
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Genealogia e Historia dos Meirelles e Afins 6.1 (cont. 6.1) Cap 4 Ascend. de Domingos - Amaral
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domingo, 17 de maio de 2015
Genealogia e Historia dos Meirelles e Afins 20 Joanna 2.0 - A visão de Iracema (Tetê), sua Primogênita -
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Capítulo 2 Joanita seção 2.2
Joanna e a visão de Iracema
Joanna e a visão de Iracema
Tetê foi depois de seu pai quem
por mais tempo e com mais intimidade conviveu com Joanna. Reúnem-se aqui
anotações esparsas e fragmentos de pensamentos encontrados nos cadernos de
Iracema, a primogênita do casal Domingos e Joana, adaptadas para dar um sentido
e uma organização ao conteúdo. Sendo ela muito delicada e sensível trouxe para
todos os que com ela conviveram uma visão muito clara e emocional de sua mãe,
por quem guardou grande admiração cultivando sua imagem viva na lembrança. .
Tendo sido Joana um modelo de
beleza, refletia Tetê, às vezes, que a
desgraça ou a suprema felicidade espreitam às escondidas nos braços de uma
mulher. Isto se acentuou no caso de Joana, por ser bela, inteligente, culta e
pró-ativa. Na visão de Tetê, seu pai Domingos teve toda a sorte do mundo ao
encontrar Joanna, apaixonar-se por ela e ter tantos ideais legítimos em comum
com ela. Todo apoio e energia que Domingos recebeu de sua esposa construíram
sua confiança e força para chegar ao sucesso.
Homens experientes e vividos, na Guerra e na Paz, na Política, na Caserna e nas Escolas, como
Domingos José, sabiam como ninguém usar as
armadilhas de sedução para enredar mulheres na teia perigosa do desejo.
Joana, contudo, em virtude da profunda
influência de seu pai José Pedro, homem das armas e do mundo, sabia reconhecer
claramente a diferença e a potência do verdadeiro amor. Afeita a recepcionar em
seus saraus e soirées animados por música, dança, poesias, colóquios, tertúlias
e palestras, freqüentados por rapazes e moças ambiciosos, desenvolveu raro
savoir-faire para a vida social. Por sua magnética beleza, e cativante
vivacidade, muito cedo na vida havia percebido que seu físico percorria as
trilhas do desejo masculino. Os olhares,
pensamentos e intenções cobiçosos dos homens, todavia eram desarmados por ela graças
a sua loquacidade e agilidade de pensamento, remetendo-os para um estado mais
racional e equilibrado que lhe permitia observá-los, manobrá-los, analisá-los,
avaliá-los.
Foi assim que conheceu, encantou
e encantou-se com a figura marcante, franca, amável e objetiva de seu futuro
marido Domingos. Mesmo após ter tido seis filhos e perdido dois fetos ela
manteve corpo e espírito finos. Sua compleição pálida e rósea e a pele
aveludada herdada dos Linden e Raming emolduradas por uma presença e maneira
elegantes lhe davam uma distinção ímpar.
Na visão de todos que a
conheceram Joana era tida e havida como um anjo bom. Ao longo da vida acolheu
órfãos ajudando-os, encaminhando-os. Resgatou algumas mulheres desvalidas ou de
má vida. Ora empregava pessoas em insegurança social e migrantes
solidarizando-se com eles indicando-os para empregos domésticos ou
apresentando-os para seu marido que estava sempre contratando pessoas para o
município. Encaminhava jovens para a escola
e ajudava pessoalmente crianças
em dificuldade de aprendizagem. Em
sua própria casa sempre reservava tempo para treinar e educar seus
empregados.
Era conhecido seu poder de
pacificar espíritos e acalmar pessoas com um olhar meigo, com um abraço, com um
afago de mão que removia até a dor, ou só uma palavra amiga. Tanto Tetê, quanto
meu irmão Antonio afirmavam inclusive que em seus momentos de dor física,
tinham sentido este poder herdado por mim de Joana (Algo que minha formação
científica sempre me impediu de aceitar e de utilizar a não ser a pedido dos
dois e aplicado a eles).
Outra característica interessante
que revela a maneira de ser de Joanna, era a sua alimentação baseada em mel, frutas,
legumes, presuntos e queijos, ensinando inclusive às crianças a saborear um suco de
vinho batizado com água à moda Romana. Este último hábito me foi passado por
meu avô, pois minha mãe já possuía hábitos alimentares mais variados e meus
tios e primos outros ainda diversos. Esta caraterística de gostos alimentares diferentes
na família surgiram, primeiro pelo espírito libertário de Joana e Domingos e
também pela presença, em vários momentos, de cozinheiros brasileiros naturais
do Pará, Maranhão, Pernambuco e de estrangeiros de origem chinesa, indiana,
ameríndia e afrobrasileira que ensinavam às empregadas brasileiras receitas
originais. Isto deu ao cardápio da casa a variedade necessária e
suficiente para atender aos caprichos
das crianças da casa, seus primos e amigos.
Explica-se este acesso a estes estrangeiros aos contactos de Domingos
com os filhos e netos dos antigos colaboradores de seu pai e de seu avô, ambos
negociantes que tiveram muitos colaboradores, serviçais e até escravos.
Uma outra influência duradoura de
Joana, segundo Tetê, foram os valores que norteiam a vida. Os principais foram:
respeitar os indivíduos em suas diferentes formas de comportamento e origem,
depender de seu próprio esforço para servir a alguma causa vital e vencer na vida,
não dependendo de apadrinhamento (homo
faber suae quisque fortunae – o homem é o artífice de seu destino, é o que
costumava-se ouvir entre os membros da família), por a educação em Ciências como investimento
prioritário, ser solidário e respeitar os mais velhos, os pobres e desvalidos,
bem como os desgarrados que perderam o pé na corrente da existência.
Um dos prováveis irmãos (apesar de padrinho de Joanna e estar presente em vários documentos de família, não se conseguiu ainda sua certidão de nascimento)
de Joanna que manteve sempre contato com a família foi Sezinio Raming Vianna
seu padrinho de casamento aos 21 anos em 1904, nascido portanto em 1883,
provavelmente em Pirahy e falecido em 21 de abril de 1957 como se vê no anúncio
abaixo publicado por sua esposa Maria Augusta de Pinho Vianna e sua afilhada Lucy Franklin dos Santos. Através dele e
de sua esposa muitas informações e memorabilia dos Raming e dos Vianna foram legados
a Iracema. Iracema havia desempenhado o papel de agregadora dos parentes dos diversos ramos da família por muito tempo, mesmo aqueles que residiam em locais distantes da cidade e do estado do Rio de Janeiro.
Joanídia (22 December 1903 – 1975) foi a primeira maestrina brasileira tendo estudado a partir de
1927 com uma Bolsa do Conservatório Nacional em Berlin. Mantiveram as duas amigas um contato próximo para a fundação da Orquestra Jovem e durante boa parte da vida. Coincidentemente vieram a falecer no mesmo ano de 1975.
Na revista da Academia Nacional de Música de 1994 encontra-se um interessante artigo que conta um pouco do brilhante trabalho de Joanídia, que era admirado por sua amiga Iracema.
http://www.ermelinda-a-paz.mus.br/Artigos/Revistas/07%20-%20Revista%20da%20Academia%20Nacional%20de%20Musica%20-%20Volume%20V.pdf
Nos documentos acima vê-se o registro de uma homenagem de algumas de suas alunas e convites e programas de seus recitais de 73 e 74.
Reproduz-se abaixo uma das páginas do caderno de
campo de Iracema, ainda manuscrito, que iria ser publicado em 1976.
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![]() |
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da Antiga Sé
Av.
Passos, 50 - Centro (R. Buenos Aires), Rio de Janeiro, RJ 20051-040
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Contos e máximas da
Vovó Joanna
(Coletados por Tetê)
Joanna era também contadora de
histórias. Habilidade que se propagou pela família, graças às memórias de Tetê,
inspirando muitos contadores de
história, piadistas e artistas cênicos. Sua origem sendo mista lusitana, dinamarquesa e belga ou germânica as histórias
que contava refletiam esta influência já assimilada pelos colonos assentados no
Brasil.
Uma história dos Raming, bem escandinava que ficou na
memória da família era vinculada a questão da autenticidade e do berço.
Era uma vez um príncipe chamado Abel que, querendo casar-se, tentou em vão
localizar uma verdadeira princesa, pois
muitas das candidatas não conseguiam comprovar sua nobreza. Tendo desistido
temporariamente da busca retornou ao seu castelo e lá encontrou à sua espera
uma princesa chamada Matilda filha de um duque amigo de seu pai. Suas origens
eram perfeitas, contudo, decidiram testar seus modos principescos.
Convidaram-na para dormir no palácio e prepararam uma armadilha em sua cama. Em
baixo de 20 colchões de fraixéis (as plumas, penugens e penas miúdas mais macias das aves) de cobertas de
veiro (pelos de esquilos) e de lençóis
de cassa e cambraia de 200 fios de linho mais macios e delicados de todo o
reino puseram uma grande ervilha seca e dura. No dia seguinte
perguntaram-lhe como tinha sido a noite.
Ao que ela respondeu que havia sido péssima, pois a cama estava incômoda,
parecendo ter-se deitado em algo muito
duro, e portanto havia ficado com o corpo todo moído. Ao ouvir isto a Rainha-mãe disse para o
príncipe: “ Pode se casar com ela, pois com esta sensibilidade mostrou ser uma
verdadeira princesa, apesar de filha de um duque”. No casamento solene na
catedral de Schleswig (Slesvig Domkirke) o príncipe depositou no
altar uma caixa de cristal com a ervilha para que todos se lembrassem do fato.
Havia uma série de contos que resgatava o folclore de Portugal de onde
vinham os Vianna e que explorava as aventuras do Rei David. Uma delas é apresentada em seguida.
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| REI DAVID |
Dizem que Saul, certa vez ao perseguir com
seus exércitos as forças do Rei David, o ungido por Deus para ser o rei de
Israel, o encurralou numa caverna no alto das montanhas. Pôs então de guarda um
de seus mais truculentos e cruéis esbirros: -Caifás, apelidado o macaco. Como
chegasse a noite e David não saísse, Caifás adormeceu. Ao perceber isto David se esgueirou para sair, mas Caifás
ocupava toda a passagem e não era possível fugir sem acordá-lo. David esperou
um pouco e de repente surgiu uma mosca que pousou na perna de Caifás que
imediatamente a encolheu abrindo a passagem da caverna. Aproveitando esta
oportunidade David escapou da caverna e fugiu para um oásis onde havia uma
gruta em que se escondeu. Ao ver o ungido entrar, uma aranha teceu uma teia
fechando a entrada. Durante o dia Saul passou por ali com seu exército e parou para descansar. Ao ver a gruta Caifás disse: “ vamos ver se David
está escondido nesta gruta”. Ao que Saul retrucou: “ Não é preciso Caifás, veja
que ninguém entra nesta gruta há muito tempo, senão esta teia de aranha não
estaria aí fechando a entrada. Vamos embora procurá-lo em outro lugar.” Mais
tarde David saiu da gruta ao perceber que tinham todos partido e agradeceu a
Deus pela irmã mosca e pela irmã aranha que o haviam ajudado e disse: “Toda a
criação de Deus é útil e boa”.
Uma outra série de muitas histórias típicas da Renânia-palatinado que
mistura tradições belgas, francesas, luxemburguesas e prussianas explora a
esperteza do Mestre Coelho enganando os hortelões e as couves, que ele tanto
aprecia em sua alimentação. São várias historinhas curtas em que o coelho usa
sua criatividade para conseguir se alimentar e escapar da vingança de seus
perseguidores.
Uma delas conta que o Mestre
Coelho tinha sido mais uma vez apanhado pelas couves que iam agora vingar-se
enforcando-o. Quando já haviam posto uma
corda em seu pescoço e o levavam para uma árvore próxima foram surpresos com a
choradeira do coelho. Irritadas elas começaram a gritar – “ Cala a boca Mestre
Coelho. V vive roubando a nossa horta e agora está aí chorando feito uma
velhota covarde”. Mas o coelho respondeu: “Eu estou chorando mas é de pena de
Vs, porque uma cigana romani me
profetizou que todo mundo que me visse sendo enforcado ficaria cego”. A
couve chefe de Bruxelas falou: “Não faz mal, não faz mal, vamos por vendas em
todo mundo e assim não veremos v morrer enforcado”. Assim fizeram. Quando
estavam todas vendadas o Mestre Coelho tirou de seu pescoço nó de enforcado e o pôs num tronco, gritando
“ socorro estou morto de medo”. Então as couves riram e puxaram a corda da
fôrca, ao que o mestre Coelho fugiu em disparada.
Minha mãe, Iracema,
costumava lembrar alguns princípios que Joanna repetia para formar o
caráter dos filhos. Alguns que consegui coletar e me recordo são:
1 Mulheres que
trabalham fora de casa não são necessariamente melhores ou mais confiáveis,
mais realizadas ou mais produtivas que as que são mães e donas de casa.
2 Trabalhar em casa ou
fora de casa é igualmente enobrecedor para a mulher.
3 O importante é
trabalhar em prol do desenvolvimento humano.
4 A arte é o meio
criativo de unir a família e a sociedade em torno do ideal de Beleza que abre
as portas da sensibilidade para a vida.
O despertar
político e de libertação de gênero
coincidiu com o momento de grande transição no Brasil. Suas cartas e anotações
estão repletas de orientações e reflexões para as filhas. Iracema, como
primogênita e por ter-se casado tardiamente para a época, com28 anos, foi a que ficou mais tempo exposta a estes
ensinamentos e que foi mais receptiva a eles.Por isso, foi das irmãs a que mais
tempo esteve dedicada tanto ao trabalho externo quanto ao doméstico desde a juventude até o último mês
de sua vida.
A sensibilidade de
Joanna era grande e transmitiu às filhas
a prática do uso de elogios ao invés de reprimendas para estimular a
confiança e respeito mútuos. Ela sabia aprofundar os relacionamentos em
tête-à-têtes reservados em que seu olhar agudo convidava a confidências. Por
outro lado, desde cedo se acostumou a combinar seu comportamento persuasivo,
beleza física para marcar sua ação de forma simpática e incisiva.
Outra característica
sua ainda era a fertilidade, transmitida a suas filhas, e que por isso a fazia
descrer de métodos pouco científicos como banhos e ingestão de águas minerais,
máquinas elétricas de Graham ( que estavam na moda), elixires e quejandos
ironizados por ela como bruxarias.
Capítulo 2 seção 2.3 As filhas e os filhos de Joanna
Iracema ( Tetê) e Yolanda foram as filhas de Joanna que mais
se deixaram influenciar pelo seu espírito de independência. Iracema cedo se dedicou às artes e formou-se na
Escola de Música e Yolanda formou-se em medicina.
As atividades iniciais de Tetê em canto e piano ocorreram no
Theatro Municipal com professores como
Celeste Jaguaribe, Eugenia Bevilacqua e Heitor Villa Lobos.
Capítulo 2 seção 2.3 As filhas e os filhos de Joanna
Iracema ( Tetê) e Yolanda foram as filhas de Joanna que mais
se deixaram influenciar pelo seu espírito de independência. Iracema cedo se dedicou às artes e formou-se na
Escola de Música e Yolanda formou-se em medicina.
As atividades iniciais de Tetê em canto e piano ocorreram no
Theatro Municipal com professores como
Celeste Jaguaribe, Eugenia Bevilacqua e Heitor Villa Lobos.
---------------------------------------------NOTA HISTÓRICA-------------------------------------------------
O Teatro Municipal do Rio de Janeiro localiza-se na Cinelândia (Praça Marechal Floriano), no centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ), no Brasil. Inaugurado em 1909, como parte do conjunto arquitetônico das Obras de Reurbanização da Cidade do Rio de Janeiro (RJ), e abertura da Avenida Central, durante a prefeitura de Pereira Passos, exerce desde sua inauguração um importante papel para a cultura carioca e nacional, recebendo em seu palco importantes artistas, orquestras e companhias de Ballet. A atividade teatral era, na segunda metade do século XIX, muito intensa na cidade do Rio de Janeiro. Ainda assim, a cidade não dispunha de uma sala de espetáculos que correspondesse plenamente a essa atividade e que estivesse à altura da então capital do país. Os seus dois teatros, o de São Pedro e o Lírico, eram criticados pelas suas instalações, quer pelo público, quer pelas companhias que neles atuavam.
Após a Proclamação da República brasileira (1889), em 1894 o autor teatral Arthur Azevedo
lançou uma campanha para que um novo teatro fosse construído para ser
sede de uma companhia municipal, a ser criada nos moldes da Comédie-Française.
Entretanto, naqueles agitados dias, a campanha resultou apenas em uma
lei municipal, que determinou a construção do teatro municipal. Essa lei
não foi cumprida, apesar da cobrança de uma taxa para financiar a obra.
Observe-se que a arrecadação desse novo tributo nunca foi utilizada
para a construção do teatro.
Seria necessário esperar até à alvorada do século XX quando a sua construção viria a representar um dos símbolos do projeto republicano para a então capital do Brasil. À época, o então prefeito Pereira Passos promoveu uma grande modernização do centro da cidade, abrindo-se, a partir de 1903, a Avenida Central (hoje avenida Rio Branco) moldada à imagem dos boulevards parisienses e ladeada por magníficos exemplares de arquitetura eclética. Nesse contexto, realizou-se um concurso para a construção de um novo teatro, do qual saiu vitorioso o projeto de Francisco de Oliveira Passos (filho do então prefeito Francisco Pereira Passos), que contou com a colaboração do francês Albert Guilbert, com um desenho inspirado na Ópera de Paris, de Charles Garnier.
O edifício foi iniciado em 1905 sobre um alicerce de mil e seiscentas estacas de madeira fincadas no lençol freático. Para decorar o edifício, foram chamados os mais importantes pintores e escultores da época, como Eliseu Visconti, Rodolfo Amoedo e os irmãos Bernardelli. Também foram recrutados artesãos europeus para executar vitrais e mosaicos. Finalmente, quatro anos e meio mais tarde – um tempo recorde para a obra, que teve o revezamento de 280 operários em dois turnos de trabalho – no dia 14 de julho de 1909 foi inaugurado pelo então presidente da República, Nilo Peçanha, o Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Serzedelo Correia era o então prefeito da cidade. Originalmente com capacidade para 1.739 espectadores, em 1934, com a constatação de que o teatro estava pequeno para o tamanho crescente da população da cidade, a capacidade da sala foi aumentada para 2.205 lugares. A obra, apesar de sua complexidade, foi realizada em apenas três meses, também tempo recorde para a época. Posteriormente, com algumas modificações, chegou-se ao número atual de 2.361 lugares.
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Estimulada por sua mãe Joanna e seu pai Domingos José, Iracema era ativa aluna sempre
participando dos movimentos sociais de música como mostra a foto abaixo em manifestação à professora D. Eugenia Bevilacqua, que além de se apresentar como concertista (como se vê no recorte abaixo) organizava concertos de suas alunas, das quais Iracema participava com destaque.
Esta experiência viria a inspirar os concertos de Iracema com seus alunos.
Na foto abaixo Tetê é a oitava à esquerda e era reconhecida como o braço direito de seus mestres em virtude de seu talento e dedicação.
Na foto abaixo Tetê é vista na conclusão do curso de Celeste Jaguaribe de M. Faria.
Ela é a primeira à dir. sentada na segunda fileira de baixo para cima.
Celeste Jaguaribe de Matos Faria (5 April 1873 – 9 Sept 1938) compositora, poetisa, cantora e professor carioca (pseudônimo Stella Bomilcar). Filha de João Paulo Gomes de Mattos e Joana de Alencar Jaguaribe Gomes de Mattos. Começou seus estidos em Fortaleza e depois no Colegio Imaculada Conceição em Botafogo. Publicou dezenas de obras das quais se destacam:
· Olhos azuis (Text: Celeste Jaguaribe de Matos Faria)
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O Teatro Municipal do Rio de Janeiro localiza-se na Cinelândia (Praça Marechal Floriano), no centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ), no Brasil. Inaugurado em 1909, como parte do conjunto arquitetônico das Obras de Reurbanização da Cidade do Rio de Janeiro (RJ), e abertura da Avenida Central, durante a prefeitura de Pereira Passos, exerce desde sua inauguração um importante papel para a cultura carioca e nacional, recebendo em seu palco importantes artistas, orquestras e companhias de Ballet. A atividade teatral era, na segunda metade do século XIX, muito intensa na cidade do Rio de Janeiro. Ainda assim, a cidade não dispunha de uma sala de espetáculos que correspondesse plenamente a essa atividade e que estivesse à altura da então capital do país. Os seus dois teatros, o de São Pedro e o Lírico, eram criticados pelas suas instalações, quer pelo público, quer pelas companhias que neles atuavam.
O teatro em construção, 1906
Seria necessário esperar até à alvorada do século XX quando a sua construção viria a representar um dos símbolos do projeto republicano para a então capital do Brasil. À época, o então prefeito Pereira Passos promoveu uma grande modernização do centro da cidade, abrindo-se, a partir de 1903, a Avenida Central (hoje avenida Rio Branco) moldada à imagem dos boulevards parisienses e ladeada por magníficos exemplares de arquitetura eclética. Nesse contexto, realizou-se um concurso para a construção de um novo teatro, do qual saiu vitorioso o projeto de Francisco de Oliveira Passos (filho do então prefeito Francisco Pereira Passos), que contou com a colaboração do francês Albert Guilbert, com um desenho inspirado na Ópera de Paris, de Charles Garnier.
O edifício foi iniciado em 1905 sobre um alicerce de mil e seiscentas estacas de madeira fincadas no lençol freático. Para decorar o edifício, foram chamados os mais importantes pintores e escultores da época, como Eliseu Visconti, Rodolfo Amoedo e os irmãos Bernardelli. Também foram recrutados artesãos europeus para executar vitrais e mosaicos. Finalmente, quatro anos e meio mais tarde – um tempo recorde para a obra, que teve o revezamento de 280 operários em dois turnos de trabalho – no dia 14 de julho de 1909 foi inaugurado pelo então presidente da República, Nilo Peçanha, o Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Serzedelo Correia era o então prefeito da cidade. Originalmente com capacidade para 1.739 espectadores, em 1934, com a constatação de que o teatro estava pequeno para o tamanho crescente da população da cidade, a capacidade da sala foi aumentada para 2.205 lugares. A obra, apesar de sua complexidade, foi realizada em apenas três meses, também tempo recorde para a época. Posteriormente, com algumas modificações, chegou-se ao número atual de 2.361 lugares.
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Em ensaios Tetê encarnava a
seriedade da sua mãe e algumas vezes ela relatava que ao exercitar-se 8 horas
por dia ao piano, por exemplo, costumava deixar sobre o arremate de madeira,
no fim do teclado, uma toalhinha para enxugar o suor. Recordo-me que ela
costumava exibir com orgulho o desgaste no verniz desta pequena peça como uma
prova de sua dedicação.
![]() | |
|
Foto à esquerda - Tetê à direita
das tres cantoras em ensaio geral no Municipal.
Foto à direita - Tetê ao piano
em que estudou e lecionaria e abaixo seu Neumann.
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participando dos movimentos sociais de música como mostra a foto abaixo em manifestação à professora D. Eugenia Bevilacqua, que além de se apresentar como concertista (como se vê no recorte abaixo) organizava concertos de suas alunas, das quais Iracema participava com destaque.
Esta experiência viria a inspirar os concertos de Iracema com seus alunos.
Na foto abaixo Tetê é a oitava à esquerda e era reconhecida como o braço direito de seus mestres em virtude de seu talento e dedicação.
Na foto abaixo Tetê é vista na conclusão do curso de Celeste Jaguaribe de M. Faria.
Ela é a primeira à dir. sentada na segunda fileira de baixo para cima.
Com Heitor Villa Lobos Iracema participou como professora de música
da organização de corais nacionalistas nos estádios que reuniam milhares de
vozes. Ao fundo á esquerda ela dirige uma das escolas sob batuta do grande maestro e compositor
carioca.
Por sua simpatia e
talento conquistou amigos que lhe presentearam partituras manuscritas ou que
lhe foram dedicadas ou encadernadas com seu nome.
Acima duas partituras uma com a assinatura de Villa Lobos e
outra com dedicatória de Eduardo Dutra. Abaixo encadernação de luxo em couro
com seu nome em letras de ouro e
partitura com dedicatória da compositora Alda Caminha.
------------------------------------------NOTA BIOGRÁFICA--------------------------------------
Celeste Jaguaribe de Matos Faria (5 April 1873 – 9 Sept 1938) compositora, poetisa, cantora e professor carioca (pseudônimo Stella Bomilcar). Filha de João Paulo Gomes de Mattos e Joana de Alencar Jaguaribe Gomes de Mattos. Começou seus estidos em Fortaleza e depois no Colegio Imaculada Conceição em Botafogo. Publicou dezenas de obras das quais se destacam:
· A morte
da boneca (Text: Celeste Jaguaribe de Matos Faria)
· A noite
· Canção
da velhinha
· Covardia
· Olhos azuis (Text: Celeste Jaguaribe de Matos Faria)
· Penas de
garça (Text: Auta de Souza)
· Rosas
(Text: Celeste Jaguaribe de Matos Faria)
· Saudade
· Tão só-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
A sensibilidade de Iracema recebeu impacto pleno de sua mãe
despertando-a para a poesia. Ela compôs vários sonetos e poemas mas também
manteve uma coleção obras de poetas
brasileiros da primeira metade do século XX em um caderno, de 1926, de cerca de
200 páginas, em ótimo estado de conservação, em poder do autor, que é
riquíssimo de sentimento e cuja capa é ilustrada abaixo.
Ela havia coletado poemas para todas as ocasiões. Revendo
estas páginas encontrei por exemplo poemas de Olavo Bilac, Cruz e Sousa e um
muito significativo sobre a perda de uma
filha pelo Marques de Sapucahy. É tão
tocante que a mencionei a dois amigos que passaram por esta difícil perda.
Outro ainda mostra seu espírito apaixonado nas palavras de uma amiga sua a
poetisa Virginia Victorino. E por fim mais uma das poesias de sua lavra,
escrita de próprio punho, evocando a saudade de sua mãe Joanna ilustrada abaixo.
Mas suas atividades em arte foram reduzidas após o seu casamento com Antonio Ferreira da Silva Quintella, por sua
dedicação ao serviço público, em que trabalhou até a aposentadoria, e também à
família, após seu casamento.
![]() |
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Na foto acima ela é vista em ato público da prefeitura em
que trabalhou por muitos anos.
Quinta pessoa da esquerda para a direita.
|
Nas fotos abaixo Iracema é vista à esquerda com seu irmão Vitor
e Mariana, uma neta de uma escrava de seu avô paterno – Antonio José Meirelles.
À direita com seu filho Alfredo e Damiana neta de outra escrava de seu avô.
Esta ligação com empregadas descendentes de escravos da família foi outro
legado de compaixão de Joanna sensibilizada como era com a herança ameríndia e
afrobrasileira de sua sogra Anna. A abolição havia sido boicotada pelos
republicanos que deixaram de apoiar e preparar os escravos para a independência
econômica. Assim estas ações sociais pontuais individuais eram importantes para
o desenvolvimento humano do país.
A influência de Iracema sobre sua
família no interesse pela música fez com que vários membros se dedicassem a
arte. Depois de aposentada no serviço público abriu uma escola de piano que fez
época na Zona Sul do Rio. Vários de seus alunos ingressaram na Escola de Música
em que se havia formado. Seu piano Neumann de cauda ,com nota fiscal datada de
1926, e seu piano de armário Fritz Dobbert viram muitas mãos hábeis e sensíveis
tocarem suas teclas.
Abaixo cópia da segunda via do Diploma de Piano tirado em
1931 por Tetê assinado por Joanídia Nunes Sodré em 1961. Escola Nacional de Música
Universidade do Brasil hoje UFRJ. Joanídia era amiga de Iracema e havia estudado com ela junto a Alberto Nepomuceno, Henrique Oswald, Agnello França e Francisco Braga.
Joanídia (22 December 1903 – 1975) foi a primeira maestrina brasileira tendo estudado a partir de
1927 com uma Bolsa do Conservatório Nacional em Berlin. Mantiveram as duas amigas um contato próximo para a fundação da Orquestra Jovem e durante boa parte da vida. Coincidentemente vieram a falecer no mesmo ano de 1975.
Na revista da Academia Nacional de Música de 1994 encontra-se um interessante artigo que conta um pouco do brilhante trabalho de Joanídia, que era admirado por sua amiga Iracema.
http://www.ermelinda-a-paz.mus.br/Artigos/Revistas/07%20-%20Revista%20da%20Academia%20Nacional%20de%20Musica%20-%20Volume%20V.pdf
Nos documentos acima vê-se o registro de uma homenagem de algumas de suas alunas e convites e programas de seus recitais de 73 e 74.
Legado Cultural de Tetê
Algumas dicas da professora Iracema Quintella para
estudantes de piano
Iracema mantinha um caderno de campo com instruções,
anotações e reflexões de / sobre / para os alunos. Mantinha um método que
pretendia publicar quando faleceu em 1975. Em seguida algumas de suas orientações
para os estudantes de piano
Cuidados com o Piano
Afinar anualmente o instrumento
Não deixar que mexam nos pedais e
no interior do piano
Nunca envernizar por conta
própria a madeira do piano
Posicione o piano em lugar
fresco, seco, ventilado, longe do sol e
de umidade
Só transporte o piano com pessoal
especializado
Nunca ponha nada sobre o piano
Nunca deixe objetos pequenos
objetos,borracha, lápis, clips ,migalhas de comida ou raspas de qualquer
material sobre o teclado
Conselhos para o estudo
Mantenha
as unhas aparadas e as mãos sempre limpas
Mantenha o seu banco na altura
certa que permita um movimento relaxado dos braços e os ombros e pescoço sem
tensão
Relaxe os dedos que não estiverem
tocando
Mantenha a posição correta da mão
sobre o teclado
Pratique todos os dias no mínimo
4 horas e no máximo 8 horas
Exercite ao menos 1 hora por dia os fundamentos
Ao tocar por
partitura mova apenas os olhos de vez em quando para o teclado
Ensaie peças por partes e
inicialmente a mão direita e depois a esquerda
Só depois de dominar a peça ponha
sentimento na execução
Na foto abaixo estão os três filhos de Tetê, Alfredo,
Oficial de marinha Hidrógrafo e Oceanógrafo, Heitor – autor deste texto, e
Antonio, advogado.
Nesta ocasião numa livraria no Edifício Avenida
Central foi feito lançamento de um dos livros do autor deste trabalho, intitulado Manual de Psicologia Organizacional da Consultoria Vencedora -1994, publicado pela Makron Books representante da Mac GrawHill.
Algumas histórias dos filhos de Iracema
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A visão de Tetê sobre as irmãs
Yolanda, a terceira filha de Joanna, se impressionou tanto
com a longa convalescença de sua mãe Joanna que segundo ela própria isto fez
despertar sua vocação médica. Formada em 1934pela UFRJ, uma das primeiras
médicas do país teve inclusive por
calouro Clementino Fraga Filho (baiano e inaciano) com quem manteve sempre
excelentes relações profissionais. Casada também com médico baiano – Edgard de Mello Rodrigues
criou em sua casa ambiente de interesse pela saúde que influenciou seus dois
filhos. O maior, Edgard destacou-se como fisioterapeuta e Eduardo dedicou-se a
Musicoterapia. Infelizmente sua carreira foi prematuramente interrompida por
ter ficado praticamente cega após uma cirurgia de catarata realizada na Suíça.
Na década de 50 este era ainda um
procedimento de risco. A sua amizade com Iracema foi grandemente aumentada pela
convivência de seus dois filhos com o autor deste trabalho, tanto no Santo Inácio,
quanto na vizinhança da Lagoa em que residiam.
Na foto acima, de março de 1935, Yolanda com a beca de
formatura, vê-se uma dedicatória a sua irmã Iracema e a seu cunhado Antonio.
Curiosamente Yolanda e Tetê morreram quase no mesmo dia de complicações de cirurgia de
mastectomia para combater o câncer de mama. Ora, Iracema havia amamentado a mim seu
terceiro filho, mas também o segundo filho de Yolanda- Eduardo.Este fato serve
de comprovação de que o câncer de mama é independente de amamentação e da
quantidade de leite que uma mulher produza, porque uma tinha abundância de
leite e a outra escassez.
Dalila
e Edméa seguiram rumos mais tradicionais no lar, como mães de família. Na foto
abaixo vêem-se as quatro irmãs: sentadas da esquerda para direita Yolanda e
Edméa, de joelhos Iracema e de pé Dalila.
![]() |
| Da esquerda para direita: sentadas Yoland e Edméa, acima Dalila e Iracema nos fundos da casa do pai em Santa Tereza, onde havia uma mata densa. |
Dalila foi a
única das filhas que desenvolveu a religiosidade. Casou-se cedo, aos 19 anos em
1927 e viveu os primeiros anos da vida de casada no Amazonas, pois seu marido
Múcio ocupou cargo de secretário de saúde neste estado. De volta ao Rio
organizava saraus de música sacra em que sua irmã Iracema tocava piano. Nestas
reuniões iam seminaristas e padres. Numa delas foi que meu pai Antonio,
conheceu e se encantou por Iracema, perdeu a vocação sacerdotal e veio a se
casar com ela. Bendita vocação religiosa da querida tia Dalila, sem ela eu não
estaria aqui. Sua casa na Rua Farani era um verdadeiro palacete finamente
mobiliado e recheado de obras de arte. As portas de sua casa estavam sempre
abertas para os sobrinhos, irmãos e cunhados. Algumas de minhas festas de adolescência em que reuni meus
melhores amigos em arrasta-pés, bate-coxas e jam sessions de MPB foram
realizadas lá. Alguns artistas de renome freqüentaram minhas reuniões musicais nas
casas de minha mãe e de Tia Dalila, tais como: Gonzaguinha, Antonio Adolfo,
Tibério Gaspar, Beth Carvalho, Rildo Hora e outros. Mais adiante com minha tia
viúva estive muitas vezes visitando-a com meus filhos. A memória destas visitas
é bem vívida do carinho que tinha por meus filhos e seu conhecimento da
história da família.
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(E p D) Edméia,
Iracema, Domingos, Dalila, Yolanda em 1963
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Nesta foto de 1963 vê-se todo o
núcleo familiar de Dalila. De pé da E para D
Brenildo (Médico, pesquisador em
Manguinhos, autor de coletânea de 9 livros pioneiros sobre CTI publicados em
1974 após simpósios internacionais pioneiros por ele organizados em 1972)
Necésio (Engenheiro), Dalila, Múcio (odontólogo), Mário Domingos (Engenheiro
especializado em construção de estradas tendo sua empresa ARCAN participado da
construção da ponte Rio Niterói ). Sentadas da E para D Ingrid, Antonia e
Clarice
Edméa foi das tias aquela com quem o autor teve menos contacto.
Talvez porque estivesse sempre muito ocupada com as quatro filhas Cristina, Angela, Marcia e Claudia.
Eventualmente também, porque morando com meu avô a minha atenção maior era para ele.
Os filhos de Joanna – Fausto e Vitor
Estes dois filhos mais novos de
Joana incorporaram o espírito de servidores públicos que herdaram de seu pai Domingos José.
Vitor tinha muito contacto
conosco e foi ele que nos deu um memorável canino – Pery – que substituiu o meu
primeiro cão – Dominó – doado pelo tio Ary Quintella, irmão mais novo de meu
pai. Vitor era uma personalidade light sempre alegre e sorridente casado com
uma pessoa absolutamente feliz. O casal
criava em torno deles uma aura alegre e
contagiante. Tio Vitor era sempre um bom companheiro para os jovens da família.
Mesmo quando já tinha idade bem avançada o encontrávamos nos jogos do Botafogo, ou em suas longas caminhadas pelo bairro onde
morava e nos calçadões da praia. Perto de sua casa, na Rua Barão de Macaúbas,
havia um campinho de futebol onde jogávamos com seus filhos Vitor e Marcelo e
uma turma do bairro surpreendentemente internacional. Havia nesta turma dois chineses, Tuing e
Chang, um indiano Narendra e outros de outras nacionalidades.
Fausto e sua esposa Kita eram
pessoas que tinham grande apreço pela vida noturna e estavam sempre circulando
em meio a socialites. Tio Fausto era um grande companheiro para seus sobrinhos.
Ele foi meu padrinho de crisma e na ocasião me presenteou com meu primeiro
terno para a cerimônia realizada na Igreja do Colégio Santo Inácio. Seu
proverbial espírito compreensivo certa vez deu a mim e a alguns colegas de
faculdade, todos estrangeiros com bolsa de estudos na PUC, a confiança de
procurá-lo em uma encrenca em que nos metemos. Estivéramos numa boate em
Copacabana e por um descuido nosso, ou má-fé dos donos do estabelecimento, a
conta ficou muito acima do que todos nós tínhamos nos bolsos. Por conta disto não iam nos deixar sair sem
pagar o total devido. Então, como meu tio morava ali perto me ofereci para ir
recolher a diferença e conseguir resgatar todos. O dono da boate concordou, mas
exigiu que deixasse com ele a garantia de meu relógio suíço Mido. Quando me avistei com o tio Fausto em sua
casa de madrugada, pensei que ele fosse ficar muito zangado. Mas fiquei
surpreso com sua afabilidade e compreensão. Riu muito, deu boas gargalhadas,
alguns conselhos sobre a vida noturna e deu-me o dinheiro para o resgate de meu
Mido e de meus colegas.
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